Tome que o filho é teu


Fonte da Imagem: http://www.rccsp.org.br

Tomo a liberdade de colocar para a reflexão das famílias um texto, extraído das minhas leituras sobre como educar os filhos, cujo título é: TOME QUE O FILHO É TEU.

Nem tudo deve ser tomado ao pé da letra, contudo, há um fundo de verdades, que a gente quer fugir delas como o diabo foge da cruz. Resumindo: Precisamos nos construir, pais e mães RESPONSÁVEIS. Nada de se terceirizar paternidade e maternidade. Boa leitura!

Liberdade é coisa de gente grande. Os pequenos querem mesmo é alguém por perto, controlando, vigiando, agarrando-os para que não fujam, mostrando o que fazer e o que não fazer, enfim, querem os pais cuidando deles. Deixá-los livres e soltos pode ser um bom tom em muitas rodas, mas pega mal entre os principais interessados, porque isso significa abandoná-los. Para crianças e adolescentes é necessário pertencer a um adulto capaz de amá-los que os escolha deliberadamente para serem seus, é assim mesmo: querem ser propriedade de pais e mães. Eles gritam que não fazem bico e protestam como se fossem donos do seu destino. Faz parte. É por aí que vão crescendo, afinal. Mas é justamente para crescer que precisam se sentir protegidos, apoiados, firmemente em seu ônibus espacial.

Soltá-los no espaço dá uma profunda sensação de leveza e … desespero. É bom mas é pavoroso para quem ainda não tem como navegar sozinho. É mais ou mesmos assim que os pequenos se sentem quando os adultos resolvem, com charme moderninho, “dar uma educação aberta” a seus pimpolhos de fim de milênio. Por educação aberta, entenda-se algo vagamente autoritário. Ou seja, é apenas uma negação das barbaridades que muitos antigões faziam com suas crianças, oprimidas sob ordens draconianas que seguiam o vai-vem do humor se seus senhores. Faz sentido querer distância desse passado de chumbo, mas ser dono dos filhos não é ser arbitrário e opressor. Ao contrário, é assumir os deveres que os pais tem sobre as pessoinhas que decidem botar no mundo. Entre o desamparo do autoritarismo e o abandono liberal, há milhares de atitudes que fazem alguém crescer ativo, criativo e libertário. Há atitudes absolutamente imprescindíveis. Pai que é pai toma posse dos filhos sem firulas filosóficas. Assume que vai dirigir suas vidas até o fim da adolescência que vai permitir e negar coisas segundo o critério da saúde, da segurança, do aprendizado, do amadurecimento. Assume que vai escolher para eles o melhor possível e o que a molecada vai seguir suas determinações e nem precisa patinar no velho ramerrão do “só quero o melhor para você…”, porque isso tem de ser o óbvio.

Tão ou sem medo de errar, é fundamental assumir a responsabilidade e ser honesto, para mudar de atitude, pedir desculpas aos pequenos quando for preciso e indicar em seguida uma nova postura, mas nunca soltar o leme, nunca sair do rumo, nunca deixá-los à deriva. Então, cada um deles pode se sentir escolhido, laçado, carinhosamente aprisionado por quem ama e cuida, protege, estimula e incentiva. Sem pertencer a seu pai e sua mãe – os dois – sem experimentar e processar esse amor de controle e posse, fica difícil para um futuro adulto aprender a amar com maturidade. Pior que isso: quem não se sente preso aos pais, vai procurar se prender a alguém por aí afora. Um perigo. Pedir na rua o que não se ganhou em casa é se expor aos aproveitadores, às relações de uso e dependência, à sedução pura, mendigando afeto, os filhotes são presa fácil para a indústria das alucinações, para as amizades perigosas, para os namoros complicados e sofridos.

Sem se sentir propriedade daqueles adultos, que amam, as crianças, não podem se sentir amadas por eles e isso é o mesmo que não tê-los. Quando não veem nos atos e palavras dos grandes a força de sua ligação, os pequenos sentem estar perdendo seus pais. E essa imagem é avassaladora. Dela emerge o medo crônico como em tantas neuroses de angústia.

Cercá-los de limites e cuidados afetivos é o meio de mostrar esse sentimento inabalável e evitar que cresçam marcados com o pavor de perder o que gostam. É esse pavor que está por trás daquelas manias esquisitas e muito comuns dos que agridem quem amam e que abandonam projetos quando começam a dar certo, que vivem se desvalorizando num complicado mecanismo que rechaça os ganhos para reduzir ao mínimo o risco de perdas. São estragos assim que se armam na infância dos afetivamente abandonados. Papais e mamães “legais”, amiguinhos dos filhos, que liberam geral que não suportam vê-los tristinhos e frustrados, simplesmente deixam de exercer a função de pais e mães. É como deixar de existir como tal. Decidir os passos, mantê-los na rotina balanceada de regras, obrigações e brincadeiras, dizer sim e não, sem justificativas e compensações. É assim que se é, efetivamente, papai e mamãe, sem frescura, nem truculência. E quando a filharada vier pentelhar com seus pedidos de explicações, como por quê isso e por quê aquilo, pode-se encher o peito e dizer com orgulho: porque você é meu, carinha”! por que a senhorinha me pertence! Depois é só conferir nos olhos deles, lá no fundo daquela expressão de revolta, uma pontinha límpida de alívio e prazer- o prazer de serem amados como precisam ser amados enquanto constroem sua liberdade.

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